ESPAÇOS DE BRINCAR E APRENDER

Para sua brinquedoteca, escola ou espaço terapêutico

“As crianças não brincam de brincar. Ela brincam de verdade.” Mário Quintana introduz assim um de seus poemas, quando representa elementos mágicos de nossos primeiros anos de passagem pela vida.

Ser Brincante

De fato a criança não finge estar brincando. Ela vive espontaneamente enquanto um ser brincante. Assim, representa a essência criativa, exploradora e desafiadora do ser humano.

Em um mundo cada vez mais complexo e competitivo, o tempo de brincar tem sido encurtado e o ser brincante tem tido seu brincar reduzido à primeira infância e a poucos espaços. Alguns espaços tem se popularizado para preservar o brincar. Exemplo maior é a brinquedoteca – ou como preferimos  chamar, “espaço de interações lúdicas”.

Espaço de Interações Lúdicas

O Espaço de Interações Lúdicas da Oficina do Aprendiz parte de concepções práticas e teóricas. Ambas caminham na direção de oferecer condições favoráveis para ser brincante.

Assim, os ambientes promovem e fortalecem as condições básicas para isso, em especial aos comportamentos de flow (imersão), espontaneidade e imaginação.

O desenho foi proposto inicialmente na Bienal Brasileira de Design, 2015.

Ao propor um espaço de interações lúdicas, passamos por uma série de escolhas e assim, deixamos de lado outras possibilidades. Não acreditamos que haja um único espaço de brincar, nem mesmo que haja a “brinquedoteca” ideal e muito menos que toda cultura da infância possa estar representada entre quatro paredes.

ESCOLAS

Para aprender brincando

CONDOMÍNIOS

Uma brinquedoteca modelo

ESPAÇOS TERAPÊUTICOS

Espaços de afeto e compartilhar

Afeto

Contudo, sabemos que o brincar ocorre no campo real, na interação vívida da criança com seu espaço. Escolher como será um espaço de interações lúdicas é fruto de um processo contínuo de aprendizado. Afeto, observação e experimentação no nosso dia a dia.

Envolve nossa compreensão da infância, nosso potencial criativo produtivo, referências estéticas acerca e o acesso as centenas de fornecedores (artesãos ou indústrias) nacionais. Este processo continua e o mantemos em permanente aperfeiçoamento.

Humanizar

Com materiais em madeira e tecido, os ambientes são projetados e produzidos pela Oficina do Aprendiz. O tato nestes materiais orgânicos sintoniza a criança aos elementos da natureza e amplia sua relação do espaço de circunscrito de brincar ao mundo externo.

As dimensões dos espaços são próprias às necessidades das crianças, atendendo seus requisitos de acessibilidade, segurança e exploração e preservando seus espaços, ou nichos de brincar.

Perguntas e respostas

A circuscrição de espaços gera referências espaciais para as crianças que as permite ter uma melhor apropriação do lugar onde convivem. É vital que a criança sinta-se a vontade e seguras para explorar o que tem ao seu entorno. A organização por nichos gera organização no pensamento e comportamento da criança em sua exploração.

1) incentivar crianças a brincarem por mais tempo em cada um dos ambientes e, assim, explorá-lo mais profundamente;

2) permitir que a criança encontre espaços compartilhados com outras crianças e espaços para ficar mais sozinha, conforme sua vontade;

3) brincar em 1ª pessoa, sendo a própria criança atriz no processo de brincar e 3ª pessoa, quando ela projeta nos objetos (como bonecos, carrinhos e outros) suas ações, planos e desejos

4) preservar a organização do espaço e dos brinquedos.

Percebemos que favorecer a criança a explorar os diferentes papeis é fundamental em seu brincar.  

Assim, ao ter um espaço próprio para representar algum papel ou para existir, em 1ª ou 3ª pessoa, a criança pode acessar condições para aprender a aprender.

Estes preceitos estão em concordância com a diretrizes da UNICEF para o século XXI, em sua proposta de 4 pilares fundamentais ao desenvolvimento humano por meio da educação: Aprender a conhecer, Aprender a fazer, Aprender a conviver e Aprender a ser.

É provável que a única coisa mais importante quanto um espaço de interações lúdicas pensado com carinho e com critérios, seja a mediação do processo de brincar. Esta ocorre nos mais distintos âmbitos, incluindo quando se contam histórias ou se apresentam novos jogos e brincadeiras para as crianças. Nenhuma mediação é tão cheia de valores quanto àquela própria da relação presencial, direta, seja entre pares ou gerações.

Ao brincar com pais, tios, avós e outras pessoas próximas, as crianças ampliam sua rede de significados e amadurecem sua inteligência emocional. Já os adultos têm aqui a a grande oportunidade de explorarem seu ser brincante, junto à criança e, assim, colherem os frutos do brincar.